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21 de abril de 2014

Adão brasileiro

 Adão era puro e andava nu
A serpente lhe tentou a comer o fruto
e ao comer, ele, por vergonha, vestiu-se

Adão é o indio
a serpente o portugues
e o fruto a colonização

E o irônico é que:
O indio não se tornou cristão
na verdade deixou de se-lo

Lucas Vitoriano


7 de fevereiro de 2013

A observadora

A neve cai
e eu estou parada a janela
observando... as pessoas passarem
observando.. a vida lá fora
observando.. a mudança, o progresso
apenas observando

3 de fevereiro de 2013

Troca letras

João era um homem de Porte
Nasceu nas terras do Norte
mas em um dia de má Sorte
se envolvel em uma briga com um homem Forte
que com uma faca lhe deu um Corte
e lhe ocasionou a Morte

2 de novembro de 2012

Trabalho de ceifeiro

Vida de ceifeiro já foi fácil
nos primórdios dos tempos 
quando o homem ainda não havia inventado o assassinato

Hoje em dia ceifeiro trabalha de segunda a segunda
dezoito horas diárias, coitado! é um escravo!
nem recebe vale-transporte o miserável!

E se reclamar, vai pra rua, fica desempregado
porque candidato a ceifeiro é só o que tem no mercado
e quando o infeliz não morre a culpa é do ceifeiro estagiário.

Alem de pobre, ceifeiro é mal-amado
Todos os odeiam, mas eles só fazem o seu trabalho
Pro povo, bom ceifeiro é quem faz greve
ou quem dorme no trabalho.


30 de outubro de 2012

Moleque mulato

Moleque mulato, foi pegue no ato
Na praça do Prado roubando feijão

Moleque safado, foi todo espancado
Largado sangrando, caído no chão

Moleque mulato, morreu sem amparo
No anonimato, sem nem uma oração

21 de outubro de 2012

Esmael


Quando Esmael se desesperou,
Pô-se no quarto a estudar
Queria o reconhecimento do pai,
Queria a aprovação no vestibular

E na angustia que se perdeu,
Pó-se a madrugar...
Queria o reconhecimento do pai,
Queria a aprovação no vestibular

E, no desespero seu,
No quarto pô-se a chorar...
Estava longe de ter o reconhecimento do pai,
Estava perto do dia do vestibular

E como aluno empenhado fez
A prova que sua vida iria mudar...
Queria o reconhecimento do pai,
Queria a aprovação no vestibular

Revoltado com o que Deus não lhe deu
Pulou do decimo-quinto andar...
Seu corpo foi reconhecido pelo pai.
Seu nome não estava entre os aprovados no vestibular


Lucas Vitoriano


Poesia a qual esta faz referencia: Ismália (Alphonsus de Guimaraens):


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

7 de outubro de 2012

O ciclo das eleições

Determinado votei
Com a mudança sonhei
E pelo cumprimento das promessas, esperei
Me desiludi, e chorei

Dois anos se passaram
As eleições voltaram
O ciclo das eleições recomeçam

Agora caro leitor, retorne ao primeiro verso desta poesia

30 de setembro de 2012

O amor em sete versos

Amor eterno amor
Amor ardente amor
Amor tão doce amor
Amor não te quero mais amor
Amor ilusório amor 
Amor cruel amor
Amor inexistente amor

27 de setembro de 2012

Problemas

Nos incomodam como moscas
voando e zumbindo sobre nossas cabeças
e não importa aonde vamos, elas vão atras

Moscas irritantes moscas
quando matamos uma
sempre aparecem mais

25 de setembro de 2012

O homem que pensava


O homem se sentou
E pensou...
E pensou...
E pensou...
E a vida passou.

Cores da infância


Quando eu era criança
O vento sussurrava em meus ouvidos
O sol me envolvia com sua luz infinita em um seu abraço
E a chuva tocava meu rosto tão gentilmente, como um beijo materno

Quando eu era criança
Via ninfas nos bosques e florestas
Elas dançavam para mim, sorrindo com doçura
e me beijavam gentis, com ternura

Quando eu era criança
Ouvia o canto das sereias nos sons da ondas
observava desenhado nas nuvens animais de todas as espécies
E, nos sorrisos alheios via apenas generosidade.

Quando eu era criança...
Eu não via o mundo em preto e branco

10 de julho de 2012

Dança das bruxas

A lua brilha imponente, é as bruxam dançam na escuridão, rainhas da noite
cavalgam pelos céus com suas vassouras, seguidas por sua horrenda corte
espectros infernais a gritar horrores
anjos caídos, ogros, vampiros! Oh meu deus! Meu deus!!

E elas invocam seus demônios, enquanto riem a risada dos loucos
gritos, loucura, desesperados plebeus a fugir da horrenda corte
e de cima de suas vassouras elas mergulham em direção a terra
como ferozes harpias a caçar suas indefesas vitimas
e raptam virgens mulheres, para seus rituais macabros, perversas orgias

E assim se prossegue a noite
 mas quando o sol nasce, esplendoroso astro
elas fogem como animais assustados
para reaparecerem com o cair da próxima noite



9 de julho de 2012

Olhos fechados

Eu fecho os olhos porque prefiro não ver
a depressão que meu irmão se afoga, mais e mais a cada dia
as solidão que minha mulher sente, e corroí seu coração por dentro
os laços com meu filho que se afrouxam mais e mais, enquanto ele vai se tornando um estranho para mim

Eu fecho os olhos porque prefiro não ver
a minha própria fragilidade, a minha fraqueza, os meus defeitos
a estrada errada ao qual levo minha vida, mesmo sabendo que a uma estrada correta bem ao lado
meus erros, embora sempre tenha meus olhos bem abertos para enxergar os erros alheios

Eu fecho os olhos porque prefiro não ver
todo o amor e carinho que minha mãe me da, pois é algo tão cotidiano que se tornou banal
o quanto as pessoas me amam e me admiram, o quanto elas me querem bem
deus, mesmo sabendo que ele sempre me aguarda de braços abertos

Eu fecho os olhos para tudo


8 de julho de 2012

Vira-latas

E timidamente eles saem das sombras
pobres e esqueléticos animais
com olhos e estômagos vazios
não são cães, apenas meros vira-latas

E como abutres se reúnem ao redor das migalhas
brigando entre si, movidos por selvagens instintos
e quando a comida acaba eles se recolhem as suas frias moradas
com os estômagos cheios, mas nos corações não tem nada 

Pobres vira-latas
não almejam lares seguros, nem boa comida
eles não almejam nada, se contentam com as migalhas
e assim eles vivem, sem esperanças, não sonham com nada
pois eles são apenas vira-latas



Lucas Vitoriano

Piramide social

Ricos
de bolsos cheios
morando em luxuosas mansões
enquanto outros soam, trabalhando sem descanso
são médicos, advogados, professores, engenheiros e tantos mais
mas quem mais sofre são os miseráveis, mendigando por migalhas, nas esquinas, nos sinais
carregando em suas costas, uma vida sofrida, são meninos de rua, assaltantes, mendigos, meros marginais




Lucas Vitoriano

Desejo

Mas que ser esplendoroso é esse que se apresenta na minha frente!?
Linda musa, com cabelos de ouro, olhos de prata e perfume de mulher
Será uma doce anja que ira me guiar pelos labirintos do amor?
Ou uma demonia a me arrastar pela estrada do pecado?
E será que eu me importo...?



Lucas Vitoriano

A marcha do soldado

Marcha soldado, de sabre e mosquete na mão
A tua esquerda crianças moribundas choram por suas mães
E a direita os cadáveres dos inocentes te encaram sem perdão
Mas marcha, marcha soldado, e não deixe que nada te desvie a atenção
Pois tu corajoso mártir, luta por tua nação

Marcha soldado, sob estradas de mortos e rios de sangue
Atira, corta, atira, mata
Mas não pense, não questione, não se atormente
Pois tu luta pelo bom, o justo, o certo
Marcha, marcha soldado, e não olhe para teus companheiros que caem no chão
Não chore por eles, não ore para eles

Continue a marcha fúnebre soldado
E não repare que em teu peito já não bate um coração



Lucas Vitoriano

Sonho

Mas que lugar é esse?!
estou me vendo cercado por abutres obesos de tanto comer minha carne
o odor da falsidade e da mentira destrói os meus pulmões já cansados
e meu corpo desnutrido tenta se alimentar em vão de migalhas
que lugar é este aonde a bondade se tornou pecado?
ah, é apenas a realidade
por um instante sonhei com um pouco de dignidade



Lucas Vitoriano

2 de julho de 2012

Estações

Por nove luas fomos uma só, inseparáveis
e quando tu chorastes e abristes os olhos para o mundo
eu também abriste os meus, e ao teu lado jurei ficar

Te vi crescer, de pequena semente desabrochar em flor
com lindas pétalas a exalar um doce odor
fui teu sol, tua luz, teu reconfortante calor

Mas como pude tão ingenua ser?
em pensar que tu minha flor precisaria da minha luz para viver?
Como pude não notar?
Que quanto mais tuas raízes na terra estavam a se adentrar
tu encontraste teu conforto na fria escuridão
e minha luz para ti, se tornou vão

Pouco a pouco te vi descer
puxada pelo impeto da paixão
Mas como pude tão ingenua ser?
eu já devia saber
que cedo ou tarde o cordão que nós ligava iria se romper

No lugar da minha cálida luz
tu se entregasse ao fogo ardente da paixão
na volúpia dos desejos e da luxuria
e eu sozinha fiquei a chorar
abandonada ao frio, uma chama a se apagar

Mas um dia, tu ira lembrar do meu amor
um sentimento antigo, puro, divino
E a minha luz ira retornar

E não importa quantas vezes volte a cair
nas mais fortes e avassaladoras paixões
eu sei que para o meu seio iras voltar


Lucas Vitoriano




29 de junho de 2012

Lira de Nero

Canta, canta lira de Nero
Que o fogo que incendeia Roma
Incendeie a alma do rei dos artistas

Canta, canta lira de Nero
E as chamas dancem seguindo tua canção
A luz destruidora do fogo é a luz da tua inspiração

Canta, canta lira de Nero
a cada nota um grito de desespero
Dor, re, mi, fa, so, la, ci, do

Canta, canta lira de Nero
Do maior, dor maior
A canção de fogo que consome a todos sem dó

Canta, canta lira de Nero
Que teu canto se incendeie por toda Roma
E silencie todos os outros agonizantes cantos de dor



Lucas Vitoriano